A transformação da cidade

Data: 28/02/2013

Departamento: IAB RJ

A casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), no Rio, estava com ocupação máxima na abertura do ciclo de Seminários de Política Urbana Q+50, na última quarta-feira, 27 de fevereiro. A cerimônia de abertura começou com forte mensagem do presidente do IAB, Sérgio Magalhães, sobre a importância de arquitetos e urbanistas na transformação da cidade.

“Temos convicção de que não temos todas as respostas, mas o tratamento do espaço e o projeto do território são condições indispensáveis ao desenvolvimento brasileiro e à democracia do país. Nosso trabalho – a arquitetura, a cidade e o urbanismo – interage com as outras áreas da ciência, como política e economia”, afirmou Magalhães.

O presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, lembrou, com emoção,  dos profissionais que estiveram presentes no histórico Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana, realizado em 1963, no Hotel Quitandinha, e considerado um marco do urbanismo brasileiro.

A mesa-redonda esquentou as discussões. Estavam presentes a arquiteta e urbanista Margareth Pereira, o físico Luis Alberto Oliveira, a socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho e o pró-reitor da UFRJ Pablo Benetti.  Maria Alice lembrou uma estatística das últimas eleições, quando 90% dos eleitores do Rio pediram aos governantes apenas saúde e educação:

“Eles não se referem especificamente a uma imaginação urbana. O MAR (Museu de Arte do Rio), que será inaugurado na próxima sexta-feira, terá um espaço de cultura urbanística. Estamos aprendendo a ver quadrados, mas podemos aprender também a ver cidades.”

A arquiteta Margareth Pereira falou sobre sustentabilidade e o significado da expressão “comunidade”, cujo sentido vem sendo perigosamente reduzido, em sua visão.
“O uso social dessa palavra, que hoje baliza o segmento de uma minoria, significa o fechamento. A cidade é a maravilha da possibilidade de conviver com o díspar, com o que não sou eu”, disse a arquiteta.

Um bom contraponto foi apresentado pelo físico Luis Alberto Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Embora tenha recusado o título de previsor de futuro (com máximas como “a única coisa que é certa é que, no amanhã, o inesperado ocorrerá”), ele se arriscou em apresentar cenários.

“A faixa que mais cresce é a população de centenários. O Brasil vai ser Copacabana. Imensas transformações sociais e políticas vão ter que acompanhar essas mudanças. Vamos ter que nos formar a vida inteira, trabalhar a vida inteira e, quem sabe, usufruir um pouquinho também.”

Os Seminários de Política Urbana Q+50 é promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e pelo IAB e tem como proposta contribuir para o reforço da agenda política das cidades e das metrópoles brasileiras. O evento também comemora os 50 anos do histórico Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana, realizado no Hotel Quitandinha.

(Crédito das imagens: Fernando Alvim - Divulgação IAB)

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