Suketu Mehta no meio da multidão

Data: 28/02/2013

Departamento: IAB RJ

Suketu Mehta não é arquiteto, mas construiu uma cidade diferente, possível, em sua conferência no segundo dia do Seminário Q+50, sobre Políticas Urbanas, realizada nesta quinta-feira na Casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, na sede do IAB, no Rio de Janeiro.

O escritor indiano, autor do celebrado “Bombaim: cidade máxima”, mostrou ao público que lotou o IAB que soluções e solidariedade nascem em áreas superpopulosas como as favelas de Mumbai e de outras grandes cidades do mundo.

O indiano lembrou uma grande enchente em Mumbai para mostrar que a vida é possível nessas áreas. “A torrente mostrou o melhor e o pior da cidade. Muitas pessoas se afogaram, mas não houve uma ruptura, como em Nova Orleans, depois do Furacão Katrina. Os habitantes da favela, solidários, deram lugar às pessoas em suas casas; cadeias humanas ajudavam pessoas a se salvar. Todos perderam a esperança no governo, e todos se ajudavam.”

A experiência extrema de viver e conviver com a superpopulação de Mumbai (ou Bombaim, como o autor se refere à cidade), uma das cidades mais populosas do mundo, que sofre com um aumento populacional de um milhão de habitantes por ano, foi tema do escritor.

“As pessoas vivem em Bombaim porque a cada dia há um assalto ao sentido delas, do momento de acordar ao momento de dormir”, disse o indiano.

Mumbai não passa mesmo despercebida, diz ele: há o suor, o toque, as cores em todos os lugares, as buzinas dos carros presos ao trânsito, a população amassada nos trens.

“No momento em que se tem contato com os outros (como dentro de um metrô, por exemplo), você sente que aquelas mãos podem ser de um hindu, de um muçulmano, ou de outro, isso não importa. Entre, você vai se ajustar”.

Saindo de Mumbai, o escritor mostrou conhecer bem a realidade das favelas cariocas. A despeito do trabalho das unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), ele acredita que se manterá uma tendência de informalidade que dialoga com a ilegalidade nas favelas. “Há um compartilhamento de poder entre órgãos públicos legítimos e atores não legítimos, como milícias. E isso vai acontecer em várias cidades do mundo, de Nairóbi a Caracas”.

O último dia de atividades do Seminário Q+50, no Rio, acontece nesta sexta-feira, 1º de março. Serão apresentadas as conclusões grupos de trabalho (Democracia e Cidade; Ethos urbano e urbanidade; e Movimentos urbanos e oportunidades) e os relatórios dos seminários locais. O evento será realizado das 9h às 17h.

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