Sérgio Magalhães defende democratização real dos espaços urbanos

Data: 06/04/2013

Departamento: Nacional

Na primeira conferência do Seminário de Política Urbana Q+50 RS, realizada na sexta-feira, 5 de abril, no Paço Municipal, em Rio Grande (RS), o arquiteto e urbanista Sérgio Magalhães, presidente do IAB, apresentou um diagnóstico da moradia brasileira e defendeu de forma contundente a universalização dos serviços para todos os habitantes e as cidades compactas.
 
O arquiteto chamou atenção para a ampliação territorial vivenciada hoje pelas cidades. “Os centros urbanos estão perdendo densidade de modo avassalador. Isso ocorre tanto pela especulação imobiliária, como pela falta de política e mobilidade. O resultado disso é a degradação ambiental e dos serviços públicos. Isso torna as metas de universalização dos serviços cada vez mais remotas”, explica.
 
 Segundo Sérgio, a cidade tem múltiplas formas e podem ser boas, desde que sejam dotadas de serviços. “Quando se vê uma favela, como no Rio, e se imagina que ela deve ser removida porque não corresponde ao modelo imaginado, é preciso refletir e perceber que esse modelo pode, sim, ser incorporado à cidade e em condições saudáveis. Lisboa tem dois casos exemplares que demonstram isso”, afirmou Sérgio Magalhães, concluindo que a expansão territorial exagerada é incompatível com cidades sustentáveis e com a própria democracia.
 
Sérgio alertou ainda que, hoje, 85% da população brasileira vive em cidades, o que representa algo em torno de 170 milhões de pessoas. “O Brasil urbano cresceu 25 vezes do último século até hoje.” Para ele, as cidades facilitaram o acesso à educação e ao trabalho, além de terem contribuído para a ampliação da expectativa e qualidade de vida.
 
Ele explica que, embora o crescimento das cidades tenha constituído um patrimônio urbanístico, político e cultural importante, gerou um enorme passivo, com escassez de serviços de infraestrutura, como mobilidade, saneamento e abastecimento de água. 
 
“As grandes cidades brasileiras vivem em uma situação perversa. No Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 23% da população leva mais de duas horas no trajeto casa-trabalho. São Paulo não está diferente disso, assim como outras cidades também não estão”, explica.
 
Uma peculiaridade marcante da moradia brasileira é que a grande maioria dos imóveis hoje construídos foi levantada graças à poupança familiar. Apenas 20% do que o Brasil urbano produziu de moradia teve algum recurso coletivo. “Somando tudo que todos os governos produziram e tudo que os bancos financiaram (BNH, Caixa e bancos privados), tudo isso não chega a mais que 20% do parque habitacional construído”, afirmou Sérgio Magalhães.
 
Foi com muita dificuldade e precariedade que o povo brasileiro construiu seu lar e atingiu, em 2010, a marca de 50 milhões de domicílios urbanos construídos. Mesmo hoje, com um maior aporte de recursos para o financiamento habitacional, esse quadro não foi alterado e continua-se a produzir a imensa maioria dos domicílios urbanos apenas com a poupança familiar. “Há de se prever a manutenção desse passivo socioambiental enquanto não houver uma mudança na política brasileira”, alertou Sérgio Magalhães.

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