Secchi e a nova questão urbana

Data: 27/02/2013

Departamento: IAB RJ

O urbanista italiano Bernardo Secchi, conferencista da primeira noite do seminário Q+50, evento organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) sobre Política Urbana em cidades e metrópoles, apresentou o que ele chama de “nova questão urbana” ao público que lotou a Casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, na sede do IAB-RJ, no Rio.

“A questão urbana pode ser resumida em três pilares: ambiental, de mobilidade e de desigualdade social. Esses elementos estão interligados e não podem ser tratados de forma isolada. Há que se ter um pacote completo para essas ações”, disse Secchi, um dos mais influentes urbanistas contemporâneos do mundo.

A primeira edição do ciclo de seminários Q+50, que será realizada até sexta-feira, 1º de março, tem como tema “Arquitetura, Cidade, Metrópole – Democratizar Cidades Sustentáveis”, é aberto ao público e possui transmissão via internet. Os próximos estados a sediarem o Q+50 são: Rio Grande do Sul (abril), São Paulo (maio), Distrito Federal (junho), Minas Gerais (julho), Bahia (agosto) e Amazonas (setembro).

Provocativo, Secchi apresentou ao público projetos para cidades como Paris, Moscou e Bruxelas. O italiano – que prefere não trabalhar em seu país por causa de problemas como corrupção e especulação imobiliária – apresentou sua revolucionária proposta para a capital da Bélgica: uma cidade sem carros.

“Perguntei: ‘e se abolíssemos os carros de Bruxelas?’ Disseram que eu tinha enlouquecido. Mais tarde, a agência de transportes públicos argumentou que não era uma ideia tão louca. Poderíamos começar com ilhas de pedestres, expandiríamos e depois uniríamos essas ilhas em algo maior. Se pudéssemos fazer isso, quantas áreas públicas iríamos recuperar?”, questionou.
 
Os protestos pipocaram: “Obviamente, as pessoas ficaram revoltadas. Disseram ‘tire a mão do meu carro’. Mas estamos evoluindo: talvez, em 20 anos, quando nos reunirmos num seminário aqui novamente, vocês vão dizer que eu tinha razão. Temos que insistir que a política de espaços públicos é necessária para resolver a questão urbana”, provocou a plateia.    

O urbanista foi um dos convidados pelo governo francês para pensar a capital do país pelos próximos 30 anos, num projeto conhecido como Grand Paris. Ofereceu a Paris uma nova abordagem para água, energia e transporte. Dos três, a que mais repercutiu foi o transporte.
 
“A cidade foi concebida como uma cidade com concentração radial, com centro e perímetros. Assim, é impossível, por exemplo, evitar congestionamentos. Todo mundo vai para o centro. Propusemos modificar a forma”, afirmou Secchi, lembrando que a alteração é, também, uma forma de integração com todos os estratos sociais: “A horizontalidade é a imagem da democracia. A concentração radial da cidade é a imagem da hierarquia, do poder.”

Secchi é contra a expansão do metrô subterrâneo para as áreas mais pobres de Paris: Para ele, a obra é mais cara, demora mais para ficar pronta e é uma solução que não integra. “A região precisa de um sistema de transporte público de superfície, tipo bonde. Se optarem pelo metrô, as obras ficarão prontas em 2050. Teremos que esperar toda uma geração para o benefício.”

(Crédito das imagens: Fernando Alvim - Divulgação IAB)

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