Q+50 SP defende política de Estado para planejar cidades

Data: 27/05/2013

Departamento: IAB SP

A mesa de abertura do Q+50 SP, seminário sobre Política Urbana realizado nesta segunda-feira na Biblioteca Municipal Mario de Andrade, em São Paulo, defendeu fortemente a necessidade de planejar cidades. O evento, que teve como tema “Gestão Urbana”, é a terceira edição do ciclo de seminários, que já passou por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O vice-presidente do IAB, Pedro da Luz Moreira, abriu o evento lendo uma carta do presidente da entidade, Sérgio Magalhães, que não viajou a São Paulo por recomendação médica. No texto, Sérgio apresenta um cenário de grandes metrópoles com falta de governança:

“Nossas cidades se ressentem da desconstrução de seus sistemas de estudos urbanos. Se ressentem da ausência de planejamento, da falta do projeto dos espaços públicos, da autonomia com que se trata a construção a partir dos interesses específicos do lote – e em desconsideração para com a configuração urbana resultante. Se ressentem da não articulação entre programas e políticas que intervêm na vida urbana. Como é possível nossas metrópoles, que já são vinte, entre as quais duas megacidades, ainda não terem institucionalizada a questão da governança metropolitana?”, diz a carta (leia a íntegra aqui).

O presidente do IAB-SP, José Armênio Brito, marcou seu discurso pela defesa do planejamento e do projeto nas cidades. “Temos que estabelecer, exigir e ajudar os governos a implantar uma política de estado para formação das cidades que transcenda os governos”, disse ele,  complementando a sua apresentação. “É preciso entender e construir instrumentos de gestão urbana que possam melhorar nossas cidades”.

Armênio lembrou que São Paulo passa por um momento oportuno: “Estamos vivendo um momento interessante, no sentido de testar os instrumentos de transformação da cidade. A entrada de um arquiteto na Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Fernando de Mello Franco) abre uma oportunidade para discutir a cidade como projeto”
.
A discussão dos planos diretores também entrou em pauta. “Eles formam diagnósticos sábios de nossas cidades. Ouvem demandas da sociedade e sinalizam novas demandas”, disse Armênio, para complementar: “O vazio que fica é o do projeto, do arquiteto, que chegou a se travestir de político, sociólogo, historiador, muitas vezes abrindo mão do léxico próprio, que é o projeto. Os projetos urbanos têm que ter autoridade, porque não se escondem atrás de índices ou manchas de mapas. Eles evidenciam as intenções.”

Pedro da Luz Moreira defendeu o Q+50 como evento capaz de gerar resultados concretos na elaboração de novas políticas públicas: “É importante que os seminários tenham aspectos objetivos e pragmáticos”.

Na mesma linha, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR), Haroldo Pinheiro, defendeu a importância do Q+50 na busca de soluções para as cidades brasileiras: “Temos acompanhado as discussões do seminário, que tenta cobrir o que há de fundamental. Espero que consigamos chegar a um relatório final que gere um diagnóstico e metas.”

O Q+50, evento comemorativo de 50 anos do histórico Seminário Nacional de Habitação Urbana, realizado no Hotel Quitandinha (Petrópolis, RJ), visa a reforçar decisivamente a agenda política das cidades e das metrópoles brasileiras.

Post sem comentários! Comentar o post