Projeto brasileiro vence o Prêmio internacional RIBA 2018

Data: 21/11/2018

Departamento: Nacional

O projeto Moradias Infantis, do escritório brasileiro Aleph Zero - arquitetos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes -  venceu o Prêmio Internacional RIBA (Royal Institute of British Architects)  2018. Elaborado em parceria com o designer Marcelo Rosenbaum e sua sócia, arquiteta Adriana Benguela, o novo complexo escolar, que fica em  Formoso do Araguaia, Tocantins, oferece acomodação para 540 crianças que frequentam a Escola Canuanã e vêm de áreas remotas do país, alguns viajando muitas horas de barco.O projeto foi premiado também no Oscar Niemyer 2018, com a terceira colocação. 
 
O Prêmio Internacional RIBA é concedido a cada dois anos para um edifício que exemplifique a excelência em projeto e a ambição arquitetônica, além de proporcionar um impacto social significativo. Moradias Infantis foi reconhecido por sua visão em imaginar a arquitetura como uma ferramenta para a transformação social. Em 12 anos de existência do prêmio internacional, é a primeira vez que brasileiros são laureados. 
 
Combinando uma estética contemporânea com técnicas tradicionais, a obra foi descrita pelo júri como "reinventando o vernáculo brasileiro". O edifício é construído com recursos locais e baseado em técnicas locais. Blocos de terra feitos à mão no local foram usados para construir as paredes e treliças, escolhidos por suas propriedades térmicas, técnicas e estéticas. Além de ser rentável e ambientalmente sustentável, esta abordagem cria um edifício com fortes ligações ao meio envolvente e à comunidade que serve.
 
Na opinião do presidente do RIBA, Ben Derbyshire, o projeto Moradias Infantis  oferece um ambiente excepcional projetado para melhorar a vida e o bem-estar das crianças da escola. Ele ilustra o valor imensurável do bom projeto educacional. O júri do Prêmio Internacional RIBA 2018 foi composto pelos arquitetos Elizabeth Diller (DS+R), Kazuyo Sejima (SANAA), Joshua Bolchover (Rural Urban Framework), Gloria Cabral (Gabinete de Arquitectura) e Peter Clegg (Feilden Clegg Bradley Studio).
 
Para o presidente do IAB, Nivaldo Andrade, a notícia é excelente para a arquitetura do Brasil. “O projeto, elaborado por jovens arquitetos brasileiros, tem uma função social clara, que dá a dimensão de como a arquitetura pode qualificar a vida das pessoas, ainda mais por estar situado fora do grandes centros, na zona rural”, acredita ele.
 
O projeto - Cobrindo uma área de quase 25.000 m2, o Moradias Infantis é organizado em dois blocos idênticos: um para meninas e outro para meninos. As residências estão centradas em torno de três pátios amplos, abertos e bem sombreados ao nível do solo, onde a acomodação do dormitório está localizada. No primeiro andar, há espaços comuns flexíveis que vão desde espaços de leitura e salas de televisão até varandas e redes, onde as crianças podem relaxar e brincar.
 
O grande telhado, cuja estrutura é composta de vigas e colunas de madeira laminada cruzada, fornece sombreamento. O projeto de dossel suspenso criou um espaço intermediário, entre o interior e o exterior, dando o efeito de uma grande varanda com vista para a paisagem circundante e criando um ambiente confortável sem necessidade de ar condicionado.

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