Ponte estaiada sobre o rio Cocó: a melhor solução?

Autor: O Povo Online Data: 26/03/2013

Departamento: IAB CE

Fortaleza começa a examinar os detalhes do projeto - bancado pelo governo estadual - de construir uma ponte estaiada sobre o rio Cocó, com o intuito de melhorar o tráfego nas avenidas Sebastião de Abreu e Washington Soares, integrando um conjunto de intervenções viárias, feitas pela Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), que influenciarão os bairros Cocó, Cidade 2000, Dunas (Manuel Dias Branco) e Edson Queiroz. À primeira vista, o objetivo é válido – já que se trata de facilitar a mobilidade na Cidade -, a grande dúvida é se a alternativa escolhida (ponte estaiada) é a solução mais adequada para a área, visto que vai impactar profundamente no único patrimônio natural da capital, já por demais agredido, e cuja preservação é fundamental para a qualidade de vida dos fortalezenses.

O EIA/Rima (estudo e relatório de impacto ambiental) admite que uma área correspondente a nove campos de futebol será impactada provocando relevantes desequilíbrios no frágil ecossistema local. Só a movimentação de máquinas e trabalhadores para modificar o relevo e o solo, por si só, segundo o documento, provocará “instabilidade ambiental e desorganização da dinâmica do ecossistema”. E acrescenta: “Em relação ao meio biológico, o projeto trará interferências em alguns setores do manguezal do rio Cocó, onde exemplares de mangue terão que ser removidos, e em setores onde há vegetação fixadora de dunas”.

Mexer com o Cocó é atingir interesses nevrálgicos não só das atuais gerações, mas das futuras, que cobrarão pela forma com que as forças contemporâneas se desincumbiram da responsabilidade de ser guardiãs desse patrimônio, num momento de definição de seu futuro. Discutir, portanto, cada detalhe da intervenção é uma tarefa da qual ninguém tem o direito de se omitir – sobretudo os meios técnico-científicos, como ocorreu com o projeto do estaleiro do Titanzinho.

Não se trata de ser, a priori, contra a obra, mas de verificar qual a melhor alternativa técnica (inclusive a utilização de túneis sob o rio Cocó) capaz de impedir prejuízos ao ecossistema da área, ou reduzi-los ao máximo. O que a Cidade não aceita é uma imposição, de cima para baixo.

Post sem comentários! Comentar o post