Os desafios da democratização dos espaços urbanos

Data: 05/03/2013

Departamento: IAB RJ

A primeira edição do Seminário de Política Urbana Q+50, promovida pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) - que aconteceu na Casa do Arquiteto Oscar Niemeyer, na sede do IAB-RJ, entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março - debateu problemas comuns às grandes cidades do século XXI e reflexões de como tornar os espaços urbanos mais democráticos e sustentáveis.
 
Os destaques do evento foram as participações dos conferencistas Bernado Secchi e Suketu Mehta. Este, jornalista e escritor indiano, autor do premiado “Bombaim: cidade máxima”, relatou a experiência de viver e conviver com a superpopulação de Mumbai (Bombaim). Já o arquiteto italiano, tido como um dos urbanistas mais influentes do mundo, apresentou o que chama de “nova questão urbana” e projetos desenvolvidos para Paris, Bruxelas e Moscou.
 
“A questão urbana pode ser resumida em três pilares: ambiental, de mobilidade e de desigualdade social. Esses elementos estão interligados e não podem ser tratados de forma isolada. Há que se ter um pacote completo para essas ações”, disse Secchi.
 
De acordo com Mehta, Mumbai não passa despercebida. Na cidade há o suor, o toque, as cores em todos os lugares, as buzinas dos carros presos ao trânsito, a população amassada nos trens. “As pessoas vivem em Bombaim porque a cada dia há um assalto ao sentido delas, do momento de acordar ao momento de dormir”, afirmou o indiano.
 
Além das conferências, duas mesas-redondas esquentaram as discussões. A primeira, com o tema “O Espaço da Democracia”, buscou alertar sobre a importância de se analisar os problemas urbanos de forma macro e sobre o crescimento da população centenária.
 
A outra, intitulada “Sistemas Institucionais Urbanos e Metropolitanos”, destacou a importância da promoção de debates para definir as novas bases da política de urbanização nacional e das mudanças demográficas, e relembrou o histórico Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana, realizado no Hotel Quitandinha, em 1963. Também foram apresentadas experiências da habitação de Salvador e São Paulo.
 
“Temos convicção de que não temos todas as respostas, mas o tratamento do espaço e o projeto do território são condições indispensáveis ao desenvolvimento brasileiro e à democracia do país. Nosso trabalho – a arquitetura, a cidade e o urbanismo – interage com as outras áreas da ciência, como política e economia”, afirmou Sérgio Magalhães, presidente do IAB.
 
Os próximos estados a sediarem o Q+50 são: Rio Grande do Sul (abril), São Paulo (maio), Distrito Federal (junho), Minas Gerais (julho), Bahia (agosto) e Amazonas (setembro).

(Crédito das imagens: Fernando Alvim)

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