Instituto de Arquitetos do Brasil completa 95 anos

Autor: CAU/RJ Data: 29/01/2016

Departamento: IAB RJ

São 95 anos atuando na defesa da arquitetura e urbanismo no Brasil. Palco de discussões que pretendem transformar para melhor a vida da população do país em seu cotidiano. O Instituto de Arquitetos do Brasil fez aniversário nesta terça-feira (26/01). O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro presta aqui sua homenagem reproduzindo os comentários do atual presidente do IAB-RJ, Pedro da Luz, e do ex-presidente do IAB Luiz Fernando Janot.

“Olhando o passado, podemos dizer que é notável a existência de uma instituição da sociedade civil, com esse peso, sustentando bandeiras, por 95 anos. Ainda mais sendo um país em que as entidades civis não têm essa tradição de longevidade e força. Ressaltando que somos uma entidade de livre associação. Participa quem quer. Nestas nove décadas temos tidos profissionais dedicados participando.

A primeira luta importante da qual o IAB participou foi a instalação da arquitetura moderna no Brasil. Um dos exemplos da pluralidade da entidade. Sempre foi um local onde não predominou o pensamento único.

Já em 1963, na época do governo João Goulart, o IAB assumiu uma de suas mais importantes bandeiras: a implantação de uma reforma urbana ampla, que beneficiasse as populações mais carentes. Veio a ditadura militar, e ainda assim o instituto conseguiu a implantação da unificação do sistema de produção de habitação de interesse social. Posteriormente, o IAB se colocou contra várias políticas de urbanização do governo militar.

O pioneirismo do IAB também se reconhece no fato de que a entidade foi a primeira a defender a urbanização das favelas, dentro da política de produção de habitação social. Defendíamos, como defendemos, que é necessário levar condições que consideramos mínimas para a população, como saneamento, água, asfalto, luz.

Atualmente, o instituto vem fazendo críticas ao Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal por acreditar que deve estar associado a uma política urbana mais social. Defendemos que os empreendimentos sejam erguidos dentro da centralidade das cidades. A distância significa custos que todos pagaremos mais para frente.

Estamos agora em um momento de discutir nosso futuro. Nossas novas bandeiras. Por exemplo, a criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo era uma luta do IAB. Foi uma vitória. Agora temos que nos repensar. Precisamos ter sempre uma pauta.

Apesar das diferenças de pensamentos, os associados do IAB fazem sempre o esforço de manter uma agenda de prioridades que defendemos junto, por exemplo, ao Governo Federal. Levamos nossas reivindicações, defendendo um país que tenha maior responsabilidade com as gerações futuras. Somos palco de debate sobre o espaço construído no país. Defendemos cidades mais amigáveis com o meio ambiente, socialmente mais justas.

UIA – O desafio não é só a pauta da arquitetura no Brasil, mas do mundo todo. Temos ainda quatro anos. Esperamos fazer nesse período pequenos encontros, conferências, seminários para discutir a inserção e o papel do arquiteto na construção dos espaços utilizados pelo homem.

Alguns arquitetos se dedicaram a espetacularização da arquitetura, mas com pouco impacto sobre a vida efetiva da população, do cotidiano da vida na cidade. No meu entendimento, temos que fazer com que a arquitetura sirva para o conjunto da sociedade. Esperamos poder discutir mobilidade, habitação social, fragilidades econômicas, saneamento, numa preparação contínua para o encontro de 2020. Temos que discutir o planejamento a longo prazo.

O Brasil tem muita deficiência. Mas o mundo todo tem. Nova York, por exemplo, enfrenta o desafio do aumento do número da população sem teto. Dificuldades como essa são uma discussão mundial, que estarão em debate na UIA”.

“O importante do IAB é o espírito de pluralidade, aliás sua grande “modernidade” ao longo do século XX. O instituto não é atrelado a Estado, partidos, facções, segmentos políticos. É uma casa aberta, sem preconceitos. Não é um órgão representante dos arquitetos e urbanistas, mas um órgão que defende e luta pela melhoria e qualidade da arquitetura e urbanismo no Brasil.

O foco político do IAB são os interesses da cidade, da humanidade, a defesa da qualidade de vida. E é esse o papel do arquiteto: lutar dentro do espaço que lhe compete pela melhoria da qualidade de vida da população. As cidades são retratos das sociedades que nelas estão instaladas. Hoje o IAB tem 95, mas se ele superar suas dificuldades de subsistência, por não ser um órgão de arrecadação compulsória, por depender de quem vai lá oferecer um pouco de sua vivência, de sua experiência, acho que sobreviverá por muito tantos outros anos. Porque as cidades e os espaços construídos sempre existirão”.

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