“Inovar para restaurar os monumentos” é ideia defendida por revolucionário arquiteto italiano

Autor: IAB-BA Data: 17/05/2013

Departamento: IAB BA

Com uma apresentação técnica e minuciosa, o arquiteto italiano Marco Dezzi Bardeschi discutiu a dicotomia entre conservação e restauração a partir da história da arquitetura, defendendo uma postura intermediária. A conferência magistral “A reabilitação como conservação e projeto: o futuro da matéria” fechou a terceira noite da programação do ArquiMemória 4 - Encontro Internacional sobre Preservação do Patrimônio Edificado em sessão concorrida na noite desta quinta-feira, 16, que se estendeu até 21h30 e teve transmissão ao vivo pelo portal do IRDEB.

Marco Dezzi começou sua fala tratando da diferença entre conservação –  guardar com cuidado e atenção para garantir a permanência do bem imóvel – e restauração - descontentamento com o estado do bem e a busca pela retomada de seu estado original. O pesquisador lembrou que, durante muito tempo, “a restauração foi vista como a pior das destruições” e que o escritor Victor Hugo, no século XIX, considerou esta prática um crime.

Ainda se valendo da perspectiva da história, no século seguinte, a Carta de Veneza (1964) incorporou a mesma discussão ao definir que a preservação impõe a manutenção preventiva antes da alteração, ou seja, a prioridade é manter para precisar substituir. Por outro lado, os valores de novidade e de uso não podem ser descartados, uma vez que “um edifício sem uso não serve a ninguém” e as necessidades atuais são bem distintas daquelas existentes no momento da construção dos monumentos históricos.

Autor de dezenas de projetos de restauração e reabilitação de complexos monumentais, como palácios, bibliotecas, museus, muralhas, praças, e igrejas em diversas cidades italianas, Marco Dezzi, que concilia ainda as tarefas de professor universitário e autor de importantes livros na área, defende uma posição intermediária. Para ele, a preservação deve ser prioritária, mas quando o acréscimo for inevitável, este deve dialogar com a estrutura já existente. Desta forma, estruturas que garantem acessibilidade, por exemplo, podem ser integradas ao edifício sem alterar sua essência. “Restauração é a intervenção enquanto preservação”, concluiu.

Engenheiro civil e arquiteto, Marco Dezzi tem mais de quarenta anos de experiência no âmbito da conservação e restauração do patrimônio construído, enquanto técnico do  Istituto di Restauro dei Monumenti de Florença e professor da Faculdade de Arquitetura do Politécnico de Milão.

Arquimemória 4
Promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), através do Departamento da Bahia (IAB-BA), em parceria com a Faculdade de Arquitetura (FAUFBA) e o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (PPG-AU/UFBA), o ArquiMemória 4 reuniu em Salvador pesquisadores, estudantes e profissionais de diversos países e estados brasileiros para discutir as relações entre as cidades e seus patrimônios construídos. O evento se encerra nesta  sexta-feira (17), no Centro de Convenções da Bahia.

Serviço
ArquiMemória 4 - Encontro Internacional sobre Preservação do Patrimônio Edificado
De 14 a 17 de maio, das 8h30 às 21h
Centro de Convenções da Bahia [Avenida Simon Bolivar s/nº - Armação, Salvador]
Programação: www.iab-ba.org.br/arquimemoria4/
Informações: e-mail: arquimemoria4@gmail.com | tel. (71) 3018-3120

(Foto: Marco Dezzi Bardeschi - Crédito: ​Ricardo Prado | IAB-BA)

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