França investe € 1 milhão por ano em desenvolvimento de projetos

Data: 24/10/2015

Departamento: IAB RJ

A falta de projetos de qualidade, destinados a territórios de grandes escalas, levou o governo francês a pensar formas criativas para desenvolver suas cidades. Foi nesse contexto que, em 2007, o Ministério da Igualdade dos Territórios e de Habitação criou o laboratório de projetos “Ateliê Nacional.” Idealizado pela arquiteta brasileira radicada na França Maria Cristina Garcez, o ateliê começou elaborando estratégias para territórios de montanhas. O trabalho deu tão certo que, em 2011, a ministra Sylvia Pinel ampliou o método para todo o território francês. A experiência foi apresentada por Maria Cristina na terça-feira, 20 de outubro, no IAB-RJ.

Com orçamento anual de € 1 milhão, Cristina conseguiu montar uma equipe multidisciplinar de alto nível, composta por profissionais do gabarito de Álvaro Siza, David Mangin, Soto de Moura entre outros. Eles desenvolvem simultaneamente projetos para seis territórios, beneficiando inúmeras cidades que não teriam recursos financeiros suficientes para contratar um desses arquitetos para elaborar os planos estratégicos dos municípios.

Um diferencial do Ateliê é que o trabalho não começa pelo diagnóstico, mas pelo projeto. “O problema de iniciar pelo diagnóstico é que eles reúnem uma grande quantidade de informações e, na maioria dos casos, são produzidos dissociados do projeto. Quando se chega ao fim desse trabalho, não se sabe mais qual era o objetivo inicial. Desenvolver estratégias a partir de projetos é mais coerente e eficaz. Economiza recursos e perde menos energia”, explicou Cristina.

Os planos e projetos desenvolvidos pelos ateliês utilizam métodos transversais e comparativos em diferentes escalas. Assim, a equipe consegue cruzar informações globais e locais, ultrapassar os limites administrativos, identificar as dinâmicas a nível nacional e local, traduzindo as informações em projetos específicos. 

“Trata-se de uma visão estratégica de território. Essa visão é construída de forma coletiva e consensual, que envolve prefeitos, especialistas de diversas áreas, lideranças locais e arquitetos e urbanistas. Essa reflexão de futuro questiona os limites institucionais e as escalas de governança”, afirmou Cristina.

Após o período de um ano, quando o trabalho do ateliê é concluído, organiza-se um seminário para apresentar as conclusões e comparar os resultados. Esse evento reúne todas as lideranças e agentes envolvidos na pesquisa. Um livro também é publicado com todos os projetos, que também são transferidos às prefeituras. 

“Caso o prefeito decida realizar um dos projetos, o governo central oferece alguns incentivos como: uma equipe técnica do governo é destacada para acompanhar o trabalho, financiamentos específicos, facilitações nas aplicações das regras, entre outros. Vale destacar que os projetos desenvolvidos por nós servem de base para a realização de concursos de projeto para o desenvolvimento das obras”, disse Cristina.

Até o momento, cinco gerações de projetos já foram realizadas: territórios de montanha; territórios costeiros, este por duas vezes; territórios econômicos; e territórios em áreas de ricos naturais. Atualmente, está em curso o ateliê territórios e paisagens.

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Comentários (01)

Um dia teremos modelo similar no Brasil?
Não faltam territórios e arquitetos...
O que falta?
Não acredito que faltem recursos financeiros.
Vontade política?

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